Preparem-se porque a história será longa e não pouparei nenhum detalhe.
Informação importante: quando se pensa em ir à Machu Picchu deve-se ter em mente que a viagem será uma aventura. Pronto, é isso!
Informação importante: quando se pensa em ir à Machu Picchu deve-se ter em mente que a viagem será uma aventura. Pronto, é isso!
Saimos de Cusco às 8h de van (achando que seria num ônibus confortável) com mais 7 passageiros: 4 uruguaios e 3 brasileiros made in Varginha - MG. Extremamente apertadinhos fizemos uma viagem básica de 7 horas até uma hidrelétrica próxima a Águas Calientes.
Antes, comemos numa birosca uma sopa (digital) e um macarrão à bolonhesa. Mal sabíamos que esse alimento seria importante para o que nos esperava.
Quando compramos o pacote para irmos à Machu Picchu nos foi informado que caminharíamos cerca de 2 horas por uma topografica plana e extremamente hermosa, tudo seria pura contemplação da natureza à beira do rio Urubamba, cercados pela estonteante Cordilheira dos Andes...
A verdade é que caminhamos inicialmente numa trilha acentuada ladeira acima, subindo os Andes à pé mesmo, arfando e caminhando, arfando e caminhando. Só para destacar, o bioma que desta parte dos andes é Floresta Tropical; ou seja, andamos pela floresta extremanete fechada, úmida e quente (parecia que estava perdida na Floresta da Tijuca). Depois que atingimos uma certa altitude nos aparece um trilho de trem com uma indicação na direção de Machu Picchu. A esta hora onde estava nosso guia contratado? O indivíduo saiu literalmente correndo na nossa frente, desfez todo o grupo da van e ficamos nós quatro andando pelo caminho dos trilhos de trem, esperando Águas Calientes aparecer.
Detalhe: ninguém nos disse na agência que teríamos de ter capa de chuva nem lanterna. Ok, a capa de chuva conseguimos adquirir (o que na verdade não foi de eficácia constatada já que nos molhamos do mesmo jeito), no entanto, a lanterna... ai, ai, ai.
Começamos esta caminhada lá pelas 16h hora local. Chegamos em Águas Calientes eram cerca de 20h, depois de tomarmos chuva o tempo todo e caminhar sobre as pedras do trilho, com fome e depois de (quase) nos perder. Depois que anoiteceu tivemos de diminuir o ritmo da caminhada porque não enxergávamos nada (eu, em especial) e perdemos (até porque não havia indicação) a entrada para Águas Calientes e continuamos simplesmente andando, porque o guia nos disse que era só seguir os trilhos do trem (acho que a gente ia andar até o Equador!). A sorte foi que o Vaginenses brotaram na nossa frente (munidos de lanterna!) e voltamos para pegar a entrada certa . Junto com eles também haviam outras pessoas, que deviam ter contratado o mesmo guia.
Depois de nos instalar no hostel, jantamos e fomos dormir. Às 3h30min (D A M A D R U G A D A) do outro dia seria a subida para Machu Picchu, que foi feita de ônibus.
Impressiones generales:
Sabe quando você está na escola estudando América Pré Colombiana? Aí, sua professora comenta sobre a colonização espanhola, sobre a dizimação da civilização nativa pelos europeus, fala sobre a construção de uma cidade Inca (que não é Inca, é Quechua) onde os habitantes cultivavam estrategicamente a agricultura e tinham uma organização social eficiente? Notícia: sua professora estava certa!!!
Machu Picchu é inexplicavelmente bonita. E veja bem: está em ruínas!
É extremanete imponente, a organização social daquele povo deve ter sido altamente coesa e bem definida. As construções são sólidas, e não me refiro apenas à engenharia. O modo como estão dispostas as divisões da cidade (urbana e agrícola), as unidades individuais, o sistema de ritos, a organização do modo de fazer a viver a vida socialmente remete a um povo que devia mesmo dominar com precisão e afinco a natureza. E, por se tratar de séculos atrás, tudo de maneira sustável, até porque as divindades eram referenciadas à natureza, o que os obrigava a viver de modo contemplativo com ela!
Depois de cinco horas de visita, voltamos a Águas Calientes (não poderei opinar sobre suas instâncias termais porque não as conheci. Desta feita, prefiro as nossas Águas Calientes do Goiás!) para nos preparar para a volta à Cusco. Nesta hora o que se pensa? "A viagem acabou, agora é só voltar!" SÓ???
Depois que pegamos o trem Vista Dome, na classe A, para chegarmos até a hidrelétrica, nos deparamos com a nossa van, para o retorno a Machu Picchu. Depois de duas horas de viagem pela estradinha (estreitinha) à Cusco, paramos de vez. Notícia recebida pelo motorista: um desabamento de terra impediria a continuação da viagem. Resolvi ir até o local conferir... tinham uns 15 veículos parados a nossa frente. Quando cheguei perto, pensei: "Estamos sem água, sem comida e vamos dormir nos Andes. Pronto, é isso."
Saimos de lá porque o Leo - junto com uns dos Varginienses - atravessou o desabamento para ver o que poderia ser feito do outro lado dos escombros. Conseguiram uma van que nos levasse até Cusco. O motorista cobrou S/. 25 de cada um. Todos os ocupantes da nossa van aceitaram, pegamos nossas coisas, atravessamos os escombros e continuamos nosso percurso em outra van.
Impressiones generales:
O desabamento era gigantesco e tinham uns 10 a 15 homens (motoristas, passageiros e nativos em geral) imbuídos do Espírito da Montanha! Os indivíduos estavam com ferramentas manuais de construção civil e abriam (abriam??!) o caminho manualmente. Eu fiquei de face! A explicação era a de que como estávamos em pleno domingão as operações para retirada daquele monte (literalmente, monte) de terra começariam somente no dia seguinte. Que beleza!
Ainda bem que conseguimos sair. Entretanto, dezenas de pessoas ficaram para trás (incluindo muitas crianças) e já havia anoitecido. Quando chegamos a Cusco eram umas 23h30min. Os meninos foram dormir e eu saí para digerir toda essa história. O saldo foi positivo, eu faria mesmo tudo de novo, mas a infraestrutura para receber tantas pessoas num lugar reconhecidamente tão importante deixa a desejar. Por isso, o aviso inicial: não deixe de ir à Machu Picchu, porque é um lugar muito impressionante (eu me emocionei!), mas lembre-se que será uma aventura para você contar para seus familiares e amigos (e fazer um post num blog depois!).
Fotos?
Tá bom... no próximo post.
Beso - com correções gramaticais de Fab.
Detalhe: ninguém nos disse na agência que teríamos de ter capa de chuva nem lanterna. Ok, a capa de chuva conseguimos adquirir (o que na verdade não foi de eficácia constatada já que nos molhamos do mesmo jeito), no entanto, a lanterna... ai, ai, ai.
Começamos esta caminhada lá pelas 16h hora local. Chegamos em Águas Calientes eram cerca de 20h, depois de tomarmos chuva o tempo todo e caminhar sobre as pedras do trilho, com fome e depois de (quase) nos perder. Depois que anoiteceu tivemos de diminuir o ritmo da caminhada porque não enxergávamos nada (eu, em especial) e perdemos (até porque não havia indicação) a entrada para Águas Calientes e continuamos simplesmente andando, porque o guia nos disse que era só seguir os trilhos do trem (acho que a gente ia andar até o Equador!). A sorte foi que o Vaginenses brotaram na nossa frente (munidos de lanterna!) e voltamos para pegar a entrada certa . Junto com eles também haviam outras pessoas, que deviam ter contratado o mesmo guia.
Depois de nos instalar no hostel, jantamos e fomos dormir. Às 3h30min (D A M A D R U G A D A) do outro dia seria a subida para Machu Picchu, que foi feita de ônibus.
Impressiones generales:
Sabe quando você está na escola estudando América Pré Colombiana? Aí, sua professora comenta sobre a colonização espanhola, sobre a dizimação da civilização nativa pelos europeus, fala sobre a construção de uma cidade Inca (que não é Inca, é Quechua) onde os habitantes cultivavam estrategicamente a agricultura e tinham uma organização social eficiente? Notícia: sua professora estava certa!!!
Machu Picchu é inexplicavelmente bonita. E veja bem: está em ruínas!
É extremanete imponente, a organização social daquele povo deve ter sido altamente coesa e bem definida. As construções são sólidas, e não me refiro apenas à engenharia. O modo como estão dispostas as divisões da cidade (urbana e agrícola), as unidades individuais, o sistema de ritos, a organização do modo de fazer a viver a vida socialmente remete a um povo que devia mesmo dominar com precisão e afinco a natureza. E, por se tratar de séculos atrás, tudo de maneira sustável, até porque as divindades eram referenciadas à natureza, o que os obrigava a viver de modo contemplativo com ela!
Depois de cinco horas de visita, voltamos a Águas Calientes (não poderei opinar sobre suas instâncias termais porque não as conheci. Desta feita, prefiro as nossas Águas Calientes do Goiás!) para nos preparar para a volta à Cusco. Nesta hora o que se pensa? "A viagem acabou, agora é só voltar!" SÓ???
Depois que pegamos o trem Vista Dome, na classe A, para chegarmos até a hidrelétrica, nos deparamos com a nossa van, para o retorno a Machu Picchu. Depois de duas horas de viagem pela estradinha (estreitinha) à Cusco, paramos de vez. Notícia recebida pelo motorista: um desabamento de terra impediria a continuação da viagem. Resolvi ir até o local conferir... tinham uns 15 veículos parados a nossa frente. Quando cheguei perto, pensei: "Estamos sem água, sem comida e vamos dormir nos Andes. Pronto, é isso."
Saimos de lá porque o Leo - junto com uns dos Varginienses - atravessou o desabamento para ver o que poderia ser feito do outro lado dos escombros. Conseguiram uma van que nos levasse até Cusco. O motorista cobrou S/. 25 de cada um. Todos os ocupantes da nossa van aceitaram, pegamos nossas coisas, atravessamos os escombros e continuamos nosso percurso em outra van.
Impressiones generales:
O desabamento era gigantesco e tinham uns 10 a 15 homens (motoristas, passageiros e nativos em geral) imbuídos do Espírito da Montanha! Os indivíduos estavam com ferramentas manuais de construção civil e abriam (abriam??!) o caminho manualmente. Eu fiquei de face! A explicação era a de que como estávamos em pleno domingão as operações para retirada daquele monte (literalmente, monte) de terra começariam somente no dia seguinte. Que beleza!
Ainda bem que conseguimos sair. Entretanto, dezenas de pessoas ficaram para trás (incluindo muitas crianças) e já havia anoitecido. Quando chegamos a Cusco eram umas 23h30min. Os meninos foram dormir e eu saí para digerir toda essa história. O saldo foi positivo, eu faria mesmo tudo de novo, mas a infraestrutura para receber tantas pessoas num lugar reconhecidamente tão importante deixa a desejar. Por isso, o aviso inicial: não deixe de ir à Machu Picchu, porque é um lugar muito impressionante (eu me emocionei!), mas lembre-se que será uma aventura para você contar para seus familiares e amigos (e fazer um post num blog depois!).
Fotos?
Tá bom... no próximo post.
Beso - com correções gramaticais de Fab.
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